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quarta-feira, 11 de março de 2026

Promessas de bem-estar animal em publicidade entram no radar do debate sobre direito do consumidor

Organizações da sociedade civil alertam para o uso crescente de alegações de bem-estar animal em campanhas publicitárias sem transparência verificável sobre as práticas adotadas pelas empresas



De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), toda informação publicitária deve ser clara, verdadeira e passível de comprovação. Quando mensagens institucionais apresentam compromissos ou práticas éticas sem transparência sobre sua implementação, surge o risco de caracterização de propaganda enganosa ou potencialmente enganosa.


Para o movimento Stop Humane Washing (SHW), que monitora compromissos públicos de bem-estar animal assumidos por empresas, a ausência de dados verificáveis sobre essas alegações tem se tornado uma preocupação crescente.


“O consumidor tem direito de saber se aquilo que aparece na publicidade corresponde de fato às práticas adotadas pelas empresas. Quando compromissos são anunciados publicamente, é fundamental que haja transparência sobre prazos, metas e evolução da implementação”, afirma Lucas Galdioli, que realiza a gerência da iniciativa.


O fenômeno conhecido internacionalmente como “humane washing” descreve situações em que empresas utilizam o tema do bem-estar animal como estratégia de reputação ou marketing sem fornecer informações claras que permitam verificar o cumprimento dessas promessas.


Segundo Yuri Lima, mestre em Direito Animal, o comportamento do consumidor exerce papel central nesse processo: “O consumidor sempre dita as regras do mercado. À medida que cresce a preocupação com questões éticas, aumenta também a exigência para que as empresas sejam mais transparentes sobre toda a sua cadeia produtiva e sobre a rotulagem de seus produtos”, afirma em sua dissertação.


Pesquisas acadêmicas indicam que o uso de mensagens associadas ao bem-estar animal pode ter forte impacto sobre a percepção do consumidor. Estudos apontam que muitas pessoas têm conhecimento limitado sobre as condições reais de produção de alimentos de origem animal, o que pode torná-las mais suscetíveis a mensagens publicitárias que evocam imagens de cuidado ou respeito aos animais.


Para Karynn Capilé, pós-doutora em Bem-Estar Animal pela Universidade Federal do Paraná, a associação entre marketing e bem-estar animal também pode ter motivações estratégicas: “Passar a mensagem de que os animais são felizes é um bom negócio para o marketing. Essa narrativa ajuda a proteger as empresas de críticas, atrai consumidores dispostos a pagar mais por produtos considerados éticos e tranquiliza aqueles que querem agir de forma mais favorável aos animais e ao meio ambiente, mas sem mudar radicalmente seus hábitos de consumo”, explica em sua tese.


Estudos sobre comportamento do consumidor também indicam que o crescente conhecimento científico sobre emoções e cognição animal, aliado às críticas à produção animal intensiva, abriu espaço para o uso mais frequente do tema do bem-estar animal na comunicação de marcas. Em muitos casos, porém, pesquisadores apontam que o discurso publicitário pode recorrer a termos técnicos ou expressões associadas ao bem-estar animal sem que haja mudanças significativas nas práticas produtivas, fenômeno que vem sendo comparado a estratégias semelhantes ao chamado “greenwashing”.


A partir de 2016, diversas empresas do setor alimentício passaram a anunciar compromissos públicos relacionados ao bem-estar animal, especialmente no que se refere à substituição de ovos produzidos em sistemas de confinamento em gaiolas por ovos provenientes de sistemas livres de gaiolas (cage-free). A maioria dessas empresas estabeleceu 2025 como prazo para a transição completa em suas cadeias de fornecimento.


Contudo, segundo a Stop Humane Washing, em muitos casos não há informações públicas atualizadas sobre o progresso dessas metas, como percentuais de implementação, relatórios de acompanhamento ou eventuais revisões de prazo. Para o movimento, a questão central não é apenas a adoção ou não de determinadas práticas, mas a transparência sobre compromissos assumidos publicamente.


“O problema começa quando compromissos são anunciados e utilizados na comunicação institucional das empresas, mas não existem dados públicos verificáveis que permitam acompanhar sua implementação. Isso cria uma assimetria de informação que prejudica o consumidor”, afirma a organização.


Além das possíveis implicações reputacionais, o tema também pode ter impactos jurídicos, especialmente quando mensagens institucionais ou publicitárias induzem o consumidor a acreditar que determinadas práticas já foram implementadas ou estão em estágio avançado sem evidências públicas que confirmem essa informação.


O debate também dialoga com agendas globais de sustentabilidade e governança corporativa. A transparência na comunicação de compromissos socioambientais está diretamente relacionada aos princípios de consumo e produção responsáveis e integridade institucional, temas previstos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.


Nesse contexto, movimentos da sociedade civil têm ampliado o monitoramento de compromissos corporativos e buscado estimular maior transparência na comunicação das empresas com consumidores.


A Stop Humane Washing afirma que continuará acompanhando compromissos públicos de bem-estar animal e cobrando maior clareza sobre sua implementação: “O objetivo é fortalecer o direito à informação e incentivar que compromissos públicos sejam acompanhados de dados verificáveis. “Quando empresas transformam compromissos em argumento de marketing, a transparência deixa de ser opcional. Sem dados verificáveis, o consumidor não consegue distinguir a promessa de realidade.”


Mais informações e análises sobre bem-estar animal, transparência corporativa e alegações de bem-estar animal na comunicação de empresas podem ser consultadas em portavozanimal.org. Atualizações da iniciativa também estão disponíveis no Instagram @stophumanewashing e na newsletter da Stop Humane Washing: https://stophumanewashing.ipzmarketing.com/f/4kk6e-fbbX8.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Único filme brasileiro selecionado no maior festival da Índia, "Memória de Elefante" destaca o cerrado e o Santuário de Elefantes do Brasil

Longa mato-grossense inspira debates sobre território, afeto e regeneração ambiental após exibição no IFFI, em Goa


Cena do filme inspirado no Santuário de Elefantes Brasil (SEB). Foto: Divulgação


cinema do Centro-Oeste voltou a atravessar fronteiras, e desta vez como o único representante brasileiro na seleção da programação do International Film Festival of India (IFFI), o festival mais tradicional do país e uma das vitrines mais influentes da Ásia.

Memória de Elefante, dirigido pelo mato-grossense Severino Neto, foi exibido em Goa com sessão lotada e despertou o interesse do público indiano por temas pouco explorados na cinematografia brasileira contemporânea: o cerrado, os conflitos agrários e a relação entre humanidade e natureza.

Uma história inspirada no único santuário de elefantes da América Latina

Um dos fatores que mais chamaram a atenção da imprensa e do público é a origem do filme. Memória de Elefante é inspirado no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães (MT).

O SEB é o único santuário de elefantes da América Latina, um espaço de acolhimento para animais resgatados do cativeiro (circos e zoológicos) onde o cerrado se regenera, as águas voltam a brotar e a fauna retorna. A metáfora dos elefantes, memória, permanência e resistência, ecoa diretamente nas trajetórias dos personagens.

Cerrado, afeto e disputa territorial vistos de fora

Na exibição em Goa, a plateia reagiu com curiosidade e surpresa ao retrato do Brasil profundo apresentado pelo longa.

Em vez do imaginário urbano comum às produções brasileiras que circulam no exterior, Memória de Elefante revela:

  • uma mulher de 60 anos lidando com um luto que nunca cicatrizou,
  • dois jovens do mato enfrentando desigualdades e afetos reprimidos,
  • e um cerrado que resiste diante da expansão da soja.

A paisagem, inspirada diretamente no santuário, atua como personagem, conectando regeneração ambiental e sobrevivência emocional.

A força do cinema mato-grossense no circuito internacional

Com passagem por laboratórios, WIPs e prêmios, o filme reafirma a consolidação de Severino Neto como uma das vozes ascendentes do cinema autoral brasileiro.

A exibição no IFFI marca uma nova etapa de circulação internacional, projetando o Centro-Oeste para além do eixo tradicional audiovisual.

A recepção ao filme também se deve à força de suas temáticas: regeneração ambiental, conflitos por terra, relações intergeracionais, persistência do afeto em ambientes de desigualdade, e a paisagem como lugar de memória. Assuntos que dialogam diretamente com debates contemporâneos sobre clima, território e deslocamento.


segunda-feira, 7 de julho de 2025

Exposição global denuncia os graves problemas da produção industrial de ovos

No Brasil, cerca de 90% das galinhas poedeiras passam toda a vida adulta confinadas em pequenas gaiolas


Sinergia Animal faz ação de conscientização pelas galinhas confinadas. Foto: Divulgação


A organização Sinergia Animal levou às ruas de São Paulo a maior exposição fotográfica já realizada sobre a produção de ovos de galinhas em gaiolas. A instalação visual contou com 37 banners, cada um com 2 metros de altura, formando um corredor que convidou os pedestres a uma experiência marcante. Cada banner exibiu uma imagem real e chocante de galinhas presas em gaiolas, captadas em 37 diferentes países ao redor do mundo.

Essa é a mais abrangente coleção global de imagens que documentam o sofrimento das galinhas poedeiras”, disse Carolina Galvani, diretora executiva internacional da Sinergia Animal. “É uma realidade chocante, mas necessária, e envia um recado claro às empresas de alimentos: as pessoas não querem crueldade escondida atrás da comida que consomem”. 

As fotos exibidas na instalação foram obtidas por membros da Open Wing Alliance, uma coalizão global que reúne mais de 90 organizações de proteção animal de diversos países. A Sinergia Animal contribuiu com imagens impactantes de vários locais. A exposição faz parte de uma campanha global pelo fim do uso das cruéis gaiolas em bateria, que confinam galinhas em espaços menores do que uma folha de papel.

Durante a exposição, os ativistas da Sinergia ofereceram fones de ouvido com um áudio narrativo descrevendo o que acontece com os animais nas gaiolas. A organização espera usar essa importante exposição para lançar luz sobre uma realidade cruel ligada a um alimento que muitos consumidores raramente param para refletir.

Uma iniciativa global contra promessas não cumpridas

No Brasil, cerca de 90% de todas as galinhas poedeiras passam toda a vida adulta confinadas em pequenas gaiolas onde mal conseguem caminhar ou abrir completamente as asas. Essa prática é considerada uma das formas mais cruéis de exploração animal da atualidade.

Mais de 2.000 empresas em todo o mundo já assumiram compromissos para adotar sistemas livres de gaiolas em suas cadeias de fornecimento, graças ao trabalho da Open Wing Alliance. No entanto, grandes empresas como o grupo hoteleiro Marriott International— dona das redes Renaissance,  Sheraton e Westin— estão ficando para trás em suas promessas, falhando em cumprir prazos ou em divulgar publicamente a conclusão de seus processos de transição.

Não podemos permitir promessas vazias,” afirmou Carolina da Sinergia Animal. “As empresas devem ser responsabilizadas. Cada ano de atraso representa milhões de galinhas presas em confinamento extremo. Essa é uma questão urgente de responsabilidade corporativa e de bem-estar animal”.

Vídeos das granjas de ovos disponíveis aqui: https://investigations.openwingalliance.org/realcostofeggs/ 

Sobre a Sinergia Animal:
A Sinergia Animal é uma organização internacional de proteção animal que atua no Sul Global para acabar com as piores formas de crueldade animal nos sistemas alimentares. A organização é membro da Open Wing Alliance, uma coalizão dedicada a acabar com o uso de gaiolas para galinhas poedeiras em todo o mundo.

 

quarta-feira, 11 de junho de 2025

ONG realiza ação pacífica no supermercado em São Paulo para cobrar compromisso com bem-estar animal

Ativistas da Sinergia Animal pedem que Grupo Zaffari publique uma política para eliminar o uso de gaiolas na produção de carne suína


Objetivo é conscientizar os consumidores sobre práticas de bem-estar animal.  Foto: Nico Nemer 


A organização internacional de proteção animal Sinergia Animal realizou uma ação pacífica na unidade do supermercado Zaffari Morumbi Town, na zona sul de São Paulo. A intervenção teve como objetivo conscientizar os consumidores sobre práticas de bem-estar animal na indústria suína e pedir que o grupo Zaffari publique um compromisso formal para eliminar o uso das controversas gaiolas de gestação para porcas reprodutoras em sua cadeia de fornecimento.

Durante a atividade, ativistas etiquetam, de forma simbólica, os produtos de carne suína da marca própria do supermercado com adesivos informativos. Também foram distribuídos folhetos aos clientes. A ação foi realizada de maneira respeitosa e pacífica, sem causar qualquer dano aos produtos.

O uso de gaiolas de gestação é uma prática obsoleta e que causa extremo sofrimento nos animais. As gaiolas têm praticamente o mesmo tamanho do corpo das porcas, e as impedem de se virar para os lados. Elas são confinadas e imobilizadas por praticamente toda a vida. Diversas empresas do setor já avançaram nesse tema. É fundamental que o Zaffari também dê esse passo”, afirma Samantha Gaspar, coordenadora da Sinergia Animal.

No Brasil, redes de supermercados já firmaram compromissos públicos para eliminar o uso de gaiolas de gestação para porcas em suas cadeias de fornecimento, como GPA (Pão de Açúcar, Extra e Compre Bem), Grupo Carrefour (Carrefour, Atacadão, Sam´s Club, Nacional, Super BomPreço e TodoDia), Assaí Atacadista, Grupo Dia, Grupo St Marche, Hippo, UnidaSul, Mercadinhos São Luiz e Quitanda “Essas empresas demonstram que é possível atender às expectativas dos consumidores e promover melhorias na cadeia produtiva”, agregou Samantha.

Preocupação dos consumidores e influenciadores

A preocupação com o bem-estar animal é compartilhada por grande parte da população brasileira. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, encomendada pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, revelou que 88% dos brasileiros maiores de 16 anos se importam, em maior ou menor grau, com o sofrimento dos animais nas fazendas. Além disso, 84% dos entrevistados afirmaram que trocariam de supermercado caso soubessem que o estabelecimento adquire produtos de fazendas onde os animais são submetidos a sofrimento.

A atividade contou com a participação dos influenciadores digitais Rodrigo Dorado e Pedro Garutti, que acompanharam a ação. 

O nosso objetivo é dialogar com os consumidores e com a própria empresa, buscando avanços concretos para o bem-estar dos animais na indústria. Seguimos abertos ao diálogo com o grupo Zaffari para que possamos, juntos, construir uma cadeia de fornecimento mais ética e alinhada às expectativas da sociedade”, complementa Samantha.

Sobre a Sinergia Animal

A Sinergia Animal é considerada uma das ONGs mais eficazes do mundo em sua área de atuação pela Animal Charity Evaluators. A entidade atua em oito países da América Latina e Ásia, promovendo campanhas por políticas corporativas mais responsáveis, com foco na eliminação dos piores métodos de criação de animais de produção, como o confinamento de galinhas poedeiras em gaiolas e de porcas em gaiolas de gestação.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Associações divulgam nota de repúdio sobre parecer contrário a projeto de lei que visa proibir o abate de jumentos na Bahia

Nota de repúdio ressalta que animais correm risco de extinção e que seu abate é proibido pela Constituição Federal


Jumentos estão ameaçados de extinção Crédito: Chiara Albano/FNDJ

Diversas associações de defesa dos direitos animais divulgaram uma nota de repúdio ao parecer do Deputado Paulo Câmara, da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), sobre o PL nº 24.465/2022, que visa proibir o abate de jumentos em todo o estado da Bahia.

As associações rebateram os argumentos do deputado que refutam a informação de que, caso os abates continuem no Brasil, poderiam extinguir os jumentos no país em 2026. No texto, o parlamentar refuta as informações técnicas oriundas do Conselho Regional de Medicina-Veterinária da Bahia (CRMV/BA). No entanto, diz a nota de repúdio, “o CRMV/BA está robustamente amparado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e do Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA”, além de uma nota técnica embasada com artigos científicos publicada na Revista do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). O documento explica que a prática do abate de jumentos também contraria o artigo 225 da Constituição Federal, que veda práticas que levem uma espécie à extinção.

É fato notório e inconteste que os jumentos estão em agressivo declínio no Brasil e no mundo, em razão da atividade extrativista em que consiste o comércio internacional de pele de jumentos. Ao contrário do que dá a entender o parecer, não existe cadeia produtiva de jumentos no Brasil ou em qualquer lugar do mundo”, diz o texto.

A prática do abate tem levado à extinção dos animais de maneira progressiva. Entre 2018 e 2024, apenas na Bahia, foram 248.298 jumentos abatidos. Dados da FAO apontam que existem, em 2025, apenas 78.916 animais, representando uma perda de 94% do efetivo populacional. A nota também rebate diversos argumentos do parecer do deputado que tratam sobre prejuízos econômicos, desemprego e perdas de receita para o estado e ressalta que apenas três abatedouros possuem autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para a exportação da pele do jumento, que vai para a China para a fabricação do eijao. Dessa forma, não há produtores dessa atividade nem mesmo perdas econômicas ou desemprego.

A nota de repúdio também critica o parecer após aprovação em comissão na Assembleia Legislativa da Bahia. “O PL em questão já havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). É aviltante e inaceitável que o parecer ora repudiado ignore e desrespeite parecer anteriormente dado, em patente invasão da competência de comissão existente justamente para averiguar a constitucionalidade dos projetos de lei”, finaliza.

O texto é assinado pela Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, pela Confederação Nacional de Entidades de Defesa dos Direitos Animais, pela Associação Nacional dos Advogados Animalistas, entre outros órgãos e instituições.


sábado, 26 de abril de 2025

Situação da anta brasileira na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção do ICMBio, projeto ressalta a importância da espécie para a biodiversidade

Dia 27 de abril comemora-se o Dia Mundial da Anta e programa referência mundial sobre a espécie celebra a data com o sorteio de tela pintada por uma anta! 



Dia Mundial da Anta ressalta sua importância. Foto: Divulgação

Neste ano, a anta, maior mamífero terrestre da América do Sul, está entre as espécies brasileiras em processo de avaliação para a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, do ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Apesar da anta estar presente em cinco biomas brasileiros – Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal – cada uma dessas regiões apresenta diferentes combos de ameaças que colocam em risco esse animal de extrema importância para a formação e manutenção das florestas, serviços ambientais e biodiversidade. No dia 27 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Anta, que ressalta a importância dessa espécie, particularmente no contexto de crise climática e ambiental em que vivemos. 

O Dia Mundial da Anta, instituído em 2008, pelo australiano Anthony Long, um grande entusiasta das antas, celebra as quatro espécies de anta existentes ao redor do mundo e ressalta sua importância.  

"O Dia Mundial da Anta nos oferece uma oportunidade incrível para divulgar a causa da conservação dessa espécie com a qual temos trabalhado há quase três décadas. A comunicação tem sido parte fundamental de nosso trabalho de conservação da anta. Disseminar nossos achados científicos, particularmente no que diz respeito ao papel ecológico que a espécie tem na manutenção de nossas florestas e nossa biodiversidade, é de suma importância. As pessoas precisam conhecer a anta, os desafios que ela enfrenta na natureza, o que vem sendo feito para garantir que ela sobreviva e o que a sua extinção significaria para todos nós", ressalta Patrícia Medici, coordenadora da INCAB-IPÊ.  

Arte e Ciência  

Entre as ações comemorativas da INCAB – Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, projeto do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, para o Dia Mundial da Anta em 2025 será realizado o sorteio de uma obra de arte, pintada por uma anta asiática que vive em um zoológico norte-americano parceiro do projeto. Essas pinturas são realizadas como parte de atividades de enriquecimento ambiental. O sorteio da tela será realizado através das redes sociais do projeto. 

Aliar arte e ciência é também uma forma de mostrar que não se trata de um animal com falta de inteligência.  

Apesar de todo os serviços que esse animal realiza, no Brasil, ele ainda é visto por muitos como um ser de pouca inteligência. “No entanto, a ciência já mostrou por meio de estudos que a anta tem um número elevado de neurônios e é um animal de extrema importância para a sociobiodiversidade. Essa percepção errônea sobre a anta afasta o interesse das pessoas pela conservação da espécie. Afinal, com esta associação pejorativa, como as pessoas podem desenvolver um senso de orgulho por este animal?”, questiona Patricia Medici, coordenadora da INCAB-IPÊ.  

A pesquisadora revela que uma das hipóteses para a origem dessa falsa percepção (algo difundido apenas no Brasil) está no período colonial. “Quando os portugueses chegaram à costa do Brasil, conheceram a anta e pelo tamanho e porte do animal tentaram domesticá-la para o transporte de cargas. No entanto, como um animal selvagem, a espécie não se submeteu. Pelo fato de não conseguirem domesticá-la, passaram a relacioná-la a um animal de pouca inteligência, o que a ciência já mostrou que não é verdade”.  

Para desmistificar essa ideia, desde 2015, a INCAB-IPÊ conta com a campanha permanente de disseminação da hashtag #antaÉelogio. O objetivo é transformar essa injustiça em reconhecimento pela importância da espécie para a sociobiodiversidade. Campanhas nas redes sociais, camisetas, ações nas áreas de pesquisa estão entre as iniciativas realizadas por pesquisadores do projeto na busca por esclarecer essa fake news!  


Uma floresta sem antas é certamente menos diversa. Foto : Divulgação

O papel da anta nos ecossistemas 

Em suas longas caminhadas pelas florestas, a anta dispersa as sementes dos cerca de seis a oito quilos de frutos que consome diariamente. Sementes que tenham passado pelo trato digestivo das antas têm a germinação potencializada, o que acelera a recuperação das florestas.  

Uma floresta sem antas é certamente menos diversa e, considerando o cenário de crise climática atual, é essencial que as nossas florestas estejam em seu pleno funcionamento ecológico para garantir a sobrevivência das espécies que ali habitam, inclusive a espécie humana. As florestas desempenham papel fundamental no sequestro de carbono, além de contribuírem com a segurança hídrica, com o fornecimento de alimentos e com a própria regulação do clima. 

A anta também é uma espécie sentinela, ou seja, ela indica o estado de saúde do ambiente e dos outros seres que ali vivem, inclusive seres humanos. Um exemplo disso é a pesquisa realizada pela INCAB-IPÊ, em 2018, que identificou a contaminação de antas por agroquímicos e metais no Cerrado de Mato Grosso do Sul. A equipe da INCAB-IPÊ encontrou 13 compostos químicos diferentes nas antas amostradas, incluindo nove pesticidas e quatro metais. A descoberta fez com que a equipe retornasse à área cinco anos depois, em 2023, para amostrar as pessoas vivendo ao redor das áreas onde as antas contaminadas viviam. O estudo encontrou cinco agroquímicos e dois metais nos humanos amostrados. 

Recentemente, a INCAB-IPÊ descobriu que a anta ainda ocorre no bioma Caatinga, onde a espécie havia sido declarada regionalmente extinta. A descoberta é um grande feito para a conservação da espécie, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Durante as expedições realizadas pela equipe na Caatinga, foram detectadas ameaças como perda de habitat, caça, fogo e mudanças climáticas afetando a disponibilidade de água. Por isso, o Dia Mundial da Anta é um dia para fomentar ações concretas para conservar a anta de forma que a espécie não deixe de existir antes de ser estudada. 

Para saber mais sobre as comemorações do Dia Mundial da Anta e participar do sorteio da tela pintada por uma anta, confira as redes sociais da INCAB-IPÊ @incab.brasil


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Veganos são fracos? Não caia nessa mantira!

SVB lança campanha para desmistificar a nutrição vegana no esporte


Foto: Divulgação


No dia 1º de abril, a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) divulgou uma impactante ação de comunicação para desmistificar um dos maiores mitos sobre a alimentação vegana: a suposta fragilidade dos veganos. Com a mensagem "Veganos são fracos? Não caia nessa mentira!", a campanha foi veiculada por meio de vídeos exibidos em painéis, backlights nas estações de metrô de São Paulo, aeroportos e academias, destacando atletas veganos de alta performance que são a prova viva de que a dieta 100% vegetal é compatível com alto rendimento esportivo.

A ação contou com atletas consagrados que demonstram que a dieta vegana é plenamente compatível com alto rendimento. Guilherme Abomai se tornou o primeiro fisiculturista vegano a conquistar o "pro card" ao vencer a categoria Open no peso acima de 102 kg do Mr. Olympia Brasil. Amanda Schott, destaque no Levantamento de Peso Olímpico, é medalhista de bronze em campeonatos mundiais e tetracampeã brasileira. Já Macris Carneiro, levantadora da seleção brasileira de vôlei, tem um histórico repleto de conquistas, incluindo três títulos da Superliga, quatro do Sul-Americano de Clubes e medalhas olímpicas. Esses atletas demonstram que é possível competir e vencer em alto nível seguindo uma alimentação baseada exclusivamente em vegetais. “Ações como essa tem o poder de desmistificar ideias equivocadas sobre o veganismo. E usar o 1o de abril como pano de fundo é mais um elemento que reforça o quanto de mentiras se fala sobre a força dos veganos!”, afirma Ricardo Laurino, vice-presidente da SVB.

A iniciativa ocorreu em um contexto de crescente interesse pela alimentação baseada em vegetais. Segundo uma pesquisa publicada pelo Instituto Datafolha em março deste ano, 7% dos brasileiros se consideram veganos, enquanto 74% demonstram interesse em reduzir ou eliminar o consumo de carne. A principal motivação para essa mudança, segundo os entrevistados, é a saúde.


Foto: Divulgação


Ciência e esporte lado a lado

A alimentação vegana é frequentemente debatida e tem ganhado espaço tanto nas buscas da internet quanto no dia a dia das pessoas, seja através da presença de produtos veganos ou do aumento do número de adeptos. A ciência tem reforçado os benefícios de uma dieta baseada em vegetais para a saúde humana. Estudos sólidos e de grande abrangência mostram que a alimentação vegana não apenas é viável, mas também pode ser um fator determinante para uma vida mais longa, saudável e ativa.

Para complementar a campanha, a SVB também apresenta o "Guia de Nutrição Esportiva Vegana", o primeiro do gênero no Brasil e um dos poucos no mundo. Escrito pelo nutricionista Filipe Testoni, coordenador do Departamento de Nutrição Esportiva da SVB, e organizado pela nutricionista Alessandra Luglio, diretora do Departamento de Saúde e Nutrição da instituição, o guia explora, de forma abrangente, a nutrição esportiva sob a perspectiva vegana. A obra fornece diretrizes práticas e embasadas cientificamente para desmistificar a relação entre veganismo e performance esportiva.



Atletas veganos de alta performance
Mitos e evidências

A relação entre nutrição vegana e desempenho esportivo já é tema de documentários internacionais, como "Dieta dos Gladiadores" (2019) e "Dieta dos Gêmeos – Você é o que você come" (2023), que contribuíram para a disseminação de informações sobre o assunto. No entanto, ainda persistem dúvidas e preconceitos, especialmente entre praticantes de atividades físicas e profissionais da área da saúde.

Segundo Filipe Testoni, autor do guia: "Embora ainda haja resistência, a ideia de que uma dieta baseada em vegetais é insuficiente para um bom desempenho esportivo tem perdido força. O que falta, muitas vezes, é informação sobre como estruturar essa alimentação de forma eficiente. O Guia de Nutrição Esportiva Vegana da SVB vem para preencher essa lacuna".

Confira o vídeo da ação: 



Acesso gratuito ao conhecimento

Para ampliar o acesso ao conhecimento sobre nutrição vegana no esporte, a SVB disponibiliza gratuitamente a versão digital do guia, que pode ser acessada no site www.nutricaoesportivavegana.com.br.

A campanha "Veganos são fracos? Não caia nessa mentira!" busca provocar reflexão e incentivar o público a conhecer mais sobre os benefícios da alimentação vegana, especialmente no esporte, mostrando que a escolha por um estilo de vida baseado em vegetais pode estar diretamente ligada à saúde, performance e bem-estar.


sábado, 22 de março de 2025

Rodeios em SP: População se mobiliza contra o retorno dos rodeios em São Paulo

Grupo organizado da sociedade civil se prepara para pedir audiência pública para repudiar a proposta, com entrega de mais de 21 mil assinaturas contrárias aos rodeios


Foto: O Holocausto Animal/Reprodução da Internet 


Após quase uma década sem rodeios, um projeto de lei apresentado pela vereadora Zoe Martinez (PL-SP) ameaça trazer de volta essa prática cruel à capital paulista. A proposta, que revoga uma importante conquista dos ativistas pelos direitos animais, tem gerado forte reação da sociedade civil. Uma petição online intitulada “Diga não ao retorno dos rodeios na cidade de São Paulo!” já ultrapassou 21.900 assinaturas na plataforma Change.org, refletindo a indignação popular contra o retrocesso.


Além da mobilização digital, um grupo organizado da sociedade civil está se preparando para pedir uma audiência pública que repudie a proposta e, com isso, realizar a entrega oficial deste abaixo-assinado como um sinal de união e oposição em massa contra os rodeios. A ação tem como objetivo pressionar os legisladores a repensarem a proposta e avançarem na proteção dos direitos dos animais.


A petição online tem se mostrado fundamental ao materializar as vozes de milhares de pessoas que, através de suas assinaturas, estão defendendo o bem-estar animal. Cada assinatura representa um compromisso coletivo com a ética e com o fim da exploração cruel dos animais. Essa mobilização é a prova de que a luta por uma cidade mais justa e humanitária é forte e crescente.


O projeto de lei ignora um consenso global sobre a necessidade de proteção aos animais e desconsidera os métodos cruéis empregados nos rodeios. Para que um touro ou cavalo “se apresente” em uma arena, ele é submetido a cordas apertadas na virilha, choques elétricos e esporas afiadas, provocando sofrimento extremo. Além disso, muitos animais sofrem fraturas, lesões graves na coluna ou morrem devido ao estresse e maus-tratos.


“A proposta da vereadora ignora um consenso crescente no mundo de que o bem-estar animal não é negociável. O argumento econômico, usado por ela para justificar o retrocesso e a violência, também não se sustenta. Em um mundo que avança em direção a práticas mais éticas e sustentáveis, insistir em rodeios é fechar os olhos para um futuro mais justo e harmônico para todos”, afirma Silvana Andrade, presidente da ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais).


A petição contra o retorno dos rodeios segue ganhando força e pode ser assinada no link: https://www.change.org/NaoRodeiosEmSP



segunda-feira, 31 de julho de 2023

Manifestação em Copacabana pede o fim do abate dos jumentos brasileiros por chineses

Produto extraído da pele dos animais é usado na China como medicamento, porém não há comprovação de sua eficácia



A Frente Nacional De Defesa Dos Jumentos, formada por ativistas da proteção animal, com o objetivo de lutar jurídica e politicamente de impedir o abate de jumentos brasileiros no Nordeste por matadouros chineses, realizou neste domingo (30/07), manifestações em diversas capitais em nível nacional, inclusive no Rio de Janeiro.

Na capital fluminense, a manifestação se deu na Praia de Copacabana, em frente ao Copacabana Palace e reuniu pelo menos 70 ativistas, que realizaram protesto e divulgaram informações sobre o caso.

Compareceram à manifestação diversos representantes de comissões de defesa dos animais da OAB, como da Leopoldina e da Barra da Tijuca, dirigentes de ONGs, protetores independentes, a atriz Alexia Dechamps e diversos ativistas que não economizaram críticas à situação. 

Segundo a advogada animalista Giovana Poker, os abatedouros chineses estão no Brasil para adquirir o 'ejiao', produto extraído do colágeno da pele do jumento, que tem alto valor de comercialização nos países orientais, porém sem nenhuma comprovação científica de sua eficácia. 

Giovana destaca que "os chineses compram esses jumentos por até 5 Reais, além da despreocupação com a reprodução e a continuidade da espécie, que corre sério risco de extinção, esse abate não movimenta a economia brasileira. E ainda fere a Constituição Federal, que veda expressamente a crueldade contra os animais. A exploração e o abate são regulamentados por diretrizes de bem-estar, estabelecidas pelo MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) e pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária. No abate chinês os animais ficam confinados sem água e comida e muitos, já debilitados por terem sido explorados anteriormente, morrem antes do abate. Além de ser cruel, essa prática viola a nossa cultura, pois o jumento é um ícone nacional".

Para o advogado Vinicius Cordeiro, ex secretário municipal de Proteção e Defesa dos Animais do Rio de Janeiro, "foi muito importante realizar a manifestação que tem caráter nacional porque ainda é grande a desinformação quanto ao tema, que é grave, já que não somente trata da defesa do animal em si, mas também tema de saúde pública e envolve grave descumprimento a decisão judicial".

Para a advogada Jomara Knoff, presidente da Comissão De Defesa e Proteção Dos Animais da OAB Barra, toda a sociedade deve se unir contra os maus-tratos sofridos pelos jumentos: "Fiquei estarrecida ao saber o que o Nordeste do Brasil tem feito com os nossos jumentos e eu não poderia deixar de participar desta manifestação, unindo minha voz a essa corrente de união e defesa a estes animais. Estão praticando crueldades e maus-tratos ao matá-los em prol de alguns trocados, vendendo-os para a China que desenvolveu um produto que nem eficácia comprovada tem. Todos nós temos a obrigação de pedir socorro pelos jumentos, chamando a atenção para que seja cumprida a liminar concedida em uma ACP em Salvador, intentada pela Frente Nacional De Defesa Dos Jumentos, onde a Juíza entendeu que deve ser proibido o abate a estes animais".

Para saber mais sobre as ações da Frente Nacional De Defesa Dos Jumentos, acompanhe as redes sociais: @frentedefesajumentos. E o site: www.salveosjumentos.org.br