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quarta-feira, 4 de junho de 2025

Tráfico de Animais Silvestres no Brasil: Uma Crise Silenciosa Amplificada por Influenciadores

Estima-se que cerca de 38 milhões de animais sejam retirados ilegalmente da natureza brasileira todos os anos


Animais são adquiridos com identidade falsa. Foto: Gustavo Figueiroa / Instituto Libio

O tráfico de animais silvestres no Brasil representa uma das maiores ameaças à biodiversidade nacional. Estima-se que cerca de 38 milhões de animais sejam retirados ilegalmente da natureza brasileira todos os anos, movimentando um mercado clandestino que gera lucros anuais entre 8 e 20 bilhões de euros. Em 2024, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu mais de 22 mil animais silvestres, encaminhados aos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) para reabilitação. 

A situação é agravada pela atuação de influenciadores digitais que, ao exibirem animais silvestres como pets em suas redes sociais, contribuem para a normalização e incentivo dessa prática ilegal. Um exemplo emblemático é o caso da modelo Nicole Bahls, que teve dois macacos-prego, Davi e Mical, apreendidos pela Polícia Federal e pelo Ibama em janeiro de 2023. Os animais foram adquiridos com documentação falsificada, e a apreensão deu início à Operação Defaunação, que resultou na prisão de três pessoas envolvidas em um esquema de tráfico de animais silvestres.

Outro caso que ganhou destaque foi o do influenciador Agenor Tupinambá, conhecido por compartilhar sua rotina com a capivara Filó nas redes sociais. Apesar de alegar que o animal vivia em seu habitat natural, Tupinambá foi multado pelo Ibama por manter um animal silvestre sem autorização e por exploração indevida.

Após a apreensão, os macacos Davi e Mical foram encaminhados ao Instituto Libio, localizado no interior de São Paulo. A instituição, em parceria com o Ibama, realiza um trabalho exemplar na conservação da fauna brasileira, acolhendo e cuidando de animais silvestres vítimas do tráfico e maus-tratos. A presidente do Instituto Libio, Raquel Machado, destacou: "Davi e Mical chegaram ao Instituto em estado de alerta e desconfiança, características comuns em animais que passaram por situações traumáticas. Nosso compromisso é proporcionar a eles uma vida digna, mesmo que em cativeiro, já que a reintrodução na natureza exige cuidados e investimentos significativos".

O Instituto Libio também desenvolve ações de educação ambiental, promovendo a conscientização sobre a importância da vida silvestre e o respeito a cada ser vivo. A instituição administra reservas privadas no Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pará, visando à conservação da fauna brasileira e de seus habitats.

É fundamental que a sociedade compreenda que animais silvestres não são pets e que sua posse ilegal contribui para a destruição de ecossistemas inteiros. A atuação de influenciadores digitais nesse contexto é preocupante, pois, ao exibirem esses animais como companheiros domésticos, acabam incentivando práticas ilegais e prejudiciais à biodiversidade.

O combate ao tráfico de animais silvestres exige a colaboração de todos: autoridades, instituições de conservação, influenciadores e cidadãos. Somente com ações coordenadas e conscientização coletiva será possível preservar a rica fauna brasileira para as futuras gerações.


domingo, 27 de abril de 2025

Cinco tendências que estão moldando a alimentação pet em 2025

Relatório global aponta mudanças no perfil dos tutores e pressiona marcas a adaptarem produtos, linguagem e tecnologias ao novo cenário de consumo


Tutores se preocupam com alimentação dos pets. Foto: Divulgação

A indústria de alimentos para pets chega a 2025 atravessando um processo de reformulação profunda, impulsionado por crises geopolíticas, mudanças climáticas e transformações no comportamento dos consumidores. Um estudo apresentado pela Euromonitor International durante o Foro Mascotas 2024 revelou cinco tendências globais que devem redesenhar o setor: o aumento da demanda por sustentabilidade comprovada, o crescimento de dietas funcionais e suplementos, a valorização da conveniência, o fortalecimento das marcas locais e o avanço da personalização por meio de inteligência artificial. 

Segundo André Faim, empresário do setor pet e cofundador da rede Lobbo Hotels e da Trabalhe pra Cachorro, as mudanças exigem das empresas uma nova postura, baseada em informação e transparência. “Hoje, não basta alegar que um produto é sustentável. Os tutores estão atentos, exigem certificações reais e querem entender os impactos de cada escolha. A era do marketing vazio acabou”, afirma. Faim observa que os tutores brasileiros, especialmente nas grandes cidades, têm demonstrado um interesse crescente por rótulos claros, ingredientes rastreáveis e ações de impacto ambiental mensurável.

Bem-estar e funcionalidade

Além da preocupação ambiental, o novo consumidor também busca soluções que contribuam diretamente para a saúde dos animais. O crescimento das dietas funcionais e dos suplementos — como probióticos, antioxidantes e fórmulas específicas para problemas articulares ou digestivos — aponta para um movimento que já ocorre em paralelo à nutrição humana. A alimentação deixou de ser apenas um fator nutritivo e passou a ser compreendida como um instrumento de prevenção e qualidade de vida.

Na visão de André Faim, esse é um caminho sem volta. “Os tutores estão tratando os pets como membros da família, e isso se reflete na busca por produtos que melhorem o bem-estar. Itens como suplementos e alimentos funcionais, antes restritos a nichos, começam a entrar nas prateleiras de grandes redes”, pontua.

O relatório também destaca que a confiança nos rótulos será fortalecida por certificações independentes, já que o consumidor tende a desconfiar de termos genéricos como “natural” ou “sustentável” quando não há validação externa. Essa exigência é uma reação direta ao fenômeno do greenwashing, que tem levado tutores a buscarem mais informações antes de decidir por uma marca.

IA e personalização marcam a nova era do consumo pet

Outra tendência que ganha força em 2025 é o uso da inteligência artificial para personalizar produtos e recomendar soluções sob medida para cada animal. Desde plataformas que analisam dados de comportamento até ferramentas que ajustam o plano alimentar com base em peso, raça e rotina, a tecnologia está se consolidando como aliada da nutrição de precisão. O estudo da Euromonitor aponta que os tutores esperam experiências mais individualizadas, e não produtos genéricos que ignoram as particularidades dos seus pets.

Para Faim, a IA deve se tornar uma ferramenta estratégica tanto para a indústria quanto para os consumidores. “Com os últimos avanços dessa tecnologia, conseguimos mapear padrões de consumo, entender melhor as necessidades dos animais e oferecer soluções cada vez mais assertivas. A inteligência artificial tem um papel direto na construção de produtos e serviços mais eficientes e relevantes”, ressalta.

Esse avanço, no entanto, não elimina a importância do atendimento humano. O desafio está em equilibrar tecnologia e empatia, oferecendo plataformas eficientes sem perder o toque cuidadoso que os tutores esperam quando o assunto é o bem-estar dos seus animais.

Com consumidores cada vez mais exigentes, o setor de alimentos pet vive uma transição que vai além da embalagem ou do sabor. Em 2025, será preciso provar, com dados, ações e posicionamento, que cada escolha feita pelas marcas está alinhada aos novos valores do consumidor. “O tutor está mais informado, mais engajado e mais crítico. Quem entender isso primeiro terá espaço garantido no futuro do setor”, conclui Faim.

Sobre André Faim

André Faim é um empreendedor e investidor no setor pet. Sócio de empresas de investimentos e co-fundador da Lobbo Hotels, a maior rede de creches e hotéis pet do país, que hoje conta com 7 unidades na cidade de São Paulo. Ele começou sua jornada em 2016, investindo em uma creche para cães, e observando a informalidade do mercado, decidiu criar uma marca referência em serviços pet, combinando acolhimento e profissionalismo. Com experiência em diversas áreas, André também é investidor na Trabalhe pra Cachorro, focando em oferecer soluções especializadas e elevar o padrão de cuidados no setor.

Para mais informações, visite o Instagram.

Sobre a Trabalhe pra Cachorro

Trabalhe pra Cachorro é uma empresa líder em recrutamento, seleção e treinamento de profissionais no setor pet. Focada em alinhar candidatos e empresas de forma ideal, a companhia também oferece consultorias especializadas para empresas do setor e gestão de equipe de forma terceirizada, visando um atendimento de excelência com práticas efetivas e amigáveis para os pets. A Trabalhe pra Cachorro se dedica a elevar o padrão de cuidado e bem-estar dos animais de estimação.

Para mais informações, visite o site oficial ou a página no Instagram.

Sobre a Lobbo Hotels

Fundada em 2014, a Lobbo é um ecossistema de bem-estar pet que se tornou referência nacional na área de creche canina e hospedagem para cães. Com sete unidades distribuídas pelo país, a empresa oferece uma infraestrutura completa para garantir a segurança e o conforto dos animais, com ambientes internos climatizados e externos para atividades programadas de acordo com as condições climáticas. A Lobbo adota um manejo baseado em ciência e conhecimento veterinário, promovendo o bem-estar físico e mental dos cães através de uma rotina equilibrada e monitorada 24 horas por dia por câmeras. Com uma equipe qualificada e um compromisso com a excelência, a Lobbo se destaca no mercado por proporcionar um serviço de alta qualidade, sempre focado na saúde e felicidade dos pets.

Para mais informações, visite o site oficial ou a página no Instagram.


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Embalagens eco-friendly transformam o mercado pet com proposta sustentável

Novos pacotes ajudam marcas a reduzir impacto no meio ambiente enquanto cuidam do bem-estar animal


Foto: Divulgação

Alternativas sustentáveis estão cada vez mais presentes no mercado pet, com embalagens eco-friendly ganhando espaço entre as marcas preocupadas em reduzir o impacto ambiental. Feitas com materiais biodegradáveis, recicláveis ou renováveis, essas embalagens atendem a uma demanda crescente por produtos que respeitam o meio ambiente e incentivam um ciclo mais sustentável.

Pesquisas sobre o mercado de embalagens mostram que a demanda por alternativas eco-friendly no setor pet tem aumentado. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 20% dos consumidores têm preferido pacotes sustentáveis em produtos para seus animais, de acordo com dados da Euromonitor e da PetfoodIndustry. Esse crescimento é impulsionado por uma mudança de comportamento dos compradores, especialmente entre os millennials, que estão cada vez mais conscientes do impacto ambiental dos produtos que adquirem.

Furest Pet, criada inicialmente nos Estados Unidos em 2022 e com operações no Brasil desde 2023, é uma dessas marcas que adotaram o conceito de sustentabilidade em suas operações. “Nosso objetivo é oferecer ao cão ou gato uma vida mais saudável e duradoura, onde ele e seu tutor possam compartilhar mais tempo de qualidade juntos. Queríamos uma embalagem que refletisse nosso respeito pela natureza, especialmente pela Floresta Amazônica, que inspira nossa linha de produtos”, explica Gilberto Novaes, fundador e CEO da Furest Pet. 

Inovação até na embalagem

A produção de embalagens sustentáveis tem se tornado cada vez mais diversificada e inovadora, buscando reduzir ao máximo o impacto ambiental. Materiais biodegradáveis, feitos a partir de compostos naturais que se decompõem rapidamente no meio ambiente, e embalagens compostáveis, que podem ser transformadas em adubo após o uso, estão entre algumas das opções mais procuradas. Outra alternativa é o uso de plásticos reciclados, que evitam o descarte de resíduos e minimizam a necessidade de extração de novos recursos. 

Um exemplo de inovação nesse setor é o stand-up pouch feito com resina de cana-de-açúcar, material que substitui o plástico convencional e reduz a emissão de carbono no processo produtivo. Essa embalagem, além de ser renovável, possui o selo I’m Green, que garante a origem sustentável do material e incentiva o uso de fontes renováveis. A Furest Pet adotou esse modelo para sua linha de produtos naturais, oferecendo aos consumidores uma embalagem que conserva a qualidade dos itens e, ao mesmo tempo, respeita o meio ambiente. 

Para Gilberto Novaes, o cuidado com o impacto ambiental das embalagens não é uma escolha, mas uma responsabilidade de todas as empresas que utilizam recursos naturais em suas produções. “Optar por embalagens sustentáveis vai além de uma questão de mercado; é um compromisso com a responsabilidade ambiental. Quem utiliza recursos naturais para produzir precisa devolver algo de positivo para o planeta, e queremos que nossos produtos reflitam essa postura de respeito e cuidado com o meio ambiente”, resume o CEO.

O impacto das embalagens ecologicamente corretas no setor pet

Essa abordagem eco-friendly está criando novas oportunidades no setor, tanto para o mercado interno quanto para exportação, onde as exigências por produtos sustentáveis são ainda mais rigorosas. As embalagens da Furest Pet, por exemplo, também são certificadas com o selo Eu Reciclo, assegurando que os produtos vendidos no Brasil contribuam para um sistema de reciclagem efetivo e responsável.

A inovação no design e nos materiais das embalagens traz benefícios não só ao consumidor final, mas também ao meio ambiente, ao reduzir o descarte de materiais nocivos e apoiar práticas de logística reversa. No Brasil, onde a conscientização ambiental avança a passos largos, essa transformação no setor pet é mais um reflexo do novo perfil do consumidor.

Gilberto Novaes aponta que este é um caminho sem volta. “A pressão por soluções sustentáveis não vem apenas das regulamentações. Essa responsabilidade vai além do produto final; é sobre toda a cadeia de produção, desde a origem dos materiais até o descarte. Em um mercado que exige transparência e compromisso ambiental, as embalagens sustentáveis são um avanço necessário, refletindo escolhas que contribuem para um ciclo mais equilibrado e menos nocivo ao meio ambiente”, conclui.