quinta-feira, 24 de julho de 2025

Medicamentos de uso humano: um risco silencioso e potencialmente fatal para cães e gatos

Veterinária alerta para os perigos da automedicação e da exposição acidental de pets a fármacos desenvolvidos para humanos


Medicamentos manipulados consideram as necessidade individuais de cada pet, o peso, a espécie e a prescrição do médico-veterinário. Foto: Melvin Quaresma


Um simples comprimido deixado sobre a mesa ou uma pomada aplicada na pele sem o devido cuidado pode representar sérios riscos à saúde de cães e gatos. Muitos tutores, por desconhecimento ou na tentativa de agir rapidamente diante de um desconforto do animal, recorrem à automedicação utilizando princípios ativos indicados para seres humanos, sem compreender que, mesmo quando o fármaco é o mesmo, as doses, as vias de administração e os efeitos colaterais podem ser extremamente diferentes entre as espécies. Além disso, há substâncias que são seguras para nós, mas que causam intoxicações severas em pets, mesmo em quantidades mínimas.

Medicamentos comuns, riscos imensos

Entre os medicamentos que lideram os casos de intoxicação acidental em animais de estimação, analgésicos e anti-inflamatórios de uso humano estão entre os mais perigosos. Substâncias como paracetamolibuprofenodiclofenaco e ácido acetilsalicílico (aspirina), tão presentes nos lares brasileiros, podem causar desde danos gastrointestinais até falência hepática ou renal em cães e gatos.

No caso do paracetamol, por exemplo, basta uma dose considerada segura para um ser humano adulto para provocar necrose hepática grave e alterações hematológicas severas, principalmente nos gatos, que são extremamente sensíveis a essa substância”, explica a médica-veterinária e consultora da rede de farmácias de manipulação veterinária DrogaVET, Farah de Andrade.

Outro grupo preocupante é o dos antidepressivos e ansiolíticos, como fluoxetina, sertralina, diazepam e clonazepam. Apesar de alguns desses princípios ativos serem utilizados em tratamentos veterinários, o uso sem prescrição e, principalmente, com dosagens inadequadas pode desencadear reações adversas graves, como alterações neurológicas, convulsões, arritmias e até coma.

O mesmo vale para antibióticos de uso humano, como a amoxicilina com clavulanato ou a ciprofloxacina, que, embora usados em tratamentos veterinários, precisam ser prescritos com base no peso, na espécie e na condição clínica do animal. "Não é apenas a substância em si, mas a dose exata e a forma de administração que definem a segurança e a eficácia de um medicamento. A bula destinada a humanos jamais pode ser utilizada como referência para um pet", reforça Farah.


Medicamentos de uso tópico ou dermatológico também podem causar intoxicação nos animais de estimação. Foto: Edjane Madza


Aparentemente inofensivos 

Além dos medicamentos tradicionais, outro grupo que merece atenção especial é o dos suplementos, vitaminas e nutracêuticos de uso humano. Por terem uma imagem associada à promoção da saúde, muitos tutores acreditam que a administração seja segura ou até benéfica para os animais de estimação — o que pode ser um equívoco perigoso.

O grande problema está, mais uma vez, na diferença metabólica entre humanos e animais. A vitamina D, por exemplo, é essencial para a regulação do cálcio e do fósforo no organismo, mas, quando administrada em doses acima do necessário — o que pode ocorrer facilmente com produtos de uso humano — pode provocar hipercalcemia, levando à calcificação de órgãos, insuficiência renal aguda e até à morte do animal.

Já a vitamina A, se fornecida de forma crônica e em doses elevadas, pode causar dores articulares, letargia, perda de apetite e alterações ósseas, especialmente em gatos. O excesso de ferro pode gerar lesões gastrointestinais e hepáticas severas, e o zinco, comum em pastilhas e cápsulas para imunidade em humanos, quando ingerido por cães e gatos, pode provocar vômitos, diarreia, anemia hemolítica e outros distúrbios graves.

O erro de pensar que o que faz bem para humanos fará bem para pets é um dos principais fatores por trás das intoxicações por vitaminas e suplementos. A farmacocinética e as necessidades fisiológicas dos animais são diferentes e qualquer adição deve ser prescrita por um médico-veterinário”, alerta Farah.

Os nutracêuticos — compostos naturais utilizados para prevenir ou tratar doenças, como ômega 3, condroitina, glucosamina, probióticos, colágeno e fitoterápicos — também têm sido cada vez mais populares entre os tutores. No entanto, quando comprados em farmácias convencionais e destinados ao consumo humano, não possuem dosagem adequada para animais e, muitas vezes, contêm excipientes, corantes, adoçantes ou conservantes que são tóxicos para os pets, como o xilitol, adoçante comum em suplementos mastigáveis, mas que em cães pode causar uma queda abrupta de glicose no sangue, levando a convulsões, coma e morte.

Da mesma forma, a melatonina, muito utilizada por humanos para indução do sono e regulação do ritmo circadiano, tem sido usada em animais em casos de ansiedade, distúrbios hormonais ou queda de pelos. Porém, a dose segura para animais é muito inferior àquela encontrada nos comprimidos disponíveis no mercado humano, além de exigir pureza farmacêutica e ausência de substâncias aditivas.

Perigos que vão além da ingestão

A intoxicação medicamentosa em pets não ocorre apenas pela ingestão oral. Medicamentos de uso tópico ou dermatológico, como minoxidil (indicado para tratamento de alopecia em humanos), representam um risco silencioso, mas letal, especialmente quando aplicados em regiões que o animal possa lamber ou com as quais possa entrar em contato direto. Apenas a exposição cutânea já pode provocar efeitos colaterais severos, como taquicardia, hipotensão, prostração e, em casos extremos, óbito.

Outros medicamentos hormonais de uso tópico, como estrógenos e testosterona em gel, também oferecem riscos quando absorvidos acidentalmente pela pele ou lambedura. O acúmulo dessas substâncias no organismo do animal pode interferir no sistema endócrino, provocar alterações comportamentais e até distúrbios reprodutivos.


Analgésicos e anti-inflamatórios de uso humano estão entre os medicamentos que lideram os casos de intoxicação acidental em animais de estimação: Foto: Edjane Madza


Medicação segura só com prescrição veterinária

Dados da pesquisa Radar Pet 2023, realizada pela Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), apontam que ao perceber que o pet não está normal, 37% dos entrevistados prefere observá-lo por três dias, 35% leva diretamente ao veterinário e 22% entra em contato com o veterinário. No entanto, o índice de pessoas que buscam outros meios é preocupante: 22% pedem orientação a conhecidos, 19% medicam por conta própria e 9% procuram informações na internet.

A automedicação é sempre contraindicada, mesmo quando o tutor já tenha ouvido falar de determinado medicamento sendo usado em pets ou quando o animal já tenha usado anteriormente em outro tratamento. Cada caso exige uma avaliação criteriosa, e somente o médico-veterinário pode indicar a substância correta, a dose exata e o tempo de tratamento adequado.

Ainda que alguns princípios ativos possam ser compartilhados entre humanos e animais, como antibióticos ou ansiolíticos, isso não significa que a apresentação, a posologia e a forma de administração sejam as mesmas. Utilizar medicamentos humanos sem ajuste específico é um risco que nenhum tutor deveria correr”, afirma Farah.

Medicamentos manipulados exclusivamente para pets

A escolha por medicamentos manipulados para uso veterinário oferece não apenas mais segurança, mas também maior adesão ao tratamento. Na DrogaVET, cada formulação é desenvolvida de acordo com a prescrição do médico-veterinário, considerando o peso, a espécie, a condição clínica e as necessidades individuais de cada pet, o que garante precisão no tratamento e reduz risco de intoxicação.

Outro diferencial importante da manipulação veterinária é a possibilidade de personalização das formas farmacêuticas. A DrogaVET oferece soluções como biscoitos, pastas orais, molhos e caldas flavorizadas com sabores como leite condensado, frango, carne, picanha ou atum. Essas opções facilitam a administração, reduzem o estresse do tutor e do animal e contribuem para a continuidade do tratamento de forma mais eficaz.

Um pet medicado corretamente tem mais chances de se recuperar, e um tutor orientado faz toda a diferença nesse processo. Por isso, sempre recomendamos que a primeira atitude, diante de qualquer alteração no comportamento ou no estado de saúde do animal, seja procurar um profissional habilitado”, finaliza Farah.

Fonte: www.drogavet.com.br


terça-feira, 22 de julho de 2025

Artigo: Os filhos estão sendo substituídos por pets?

Por Juliana Sato*


Psicóloga Juliana discorre sobre famílias multiespécies. Foto Divulgação

Essa pergunta parece simples, mas carrega um peso simbólico enorme. Aparece nas manchetes, entrevistas, mesas de jantar e discussões acaloradas nas redes sociais, quase sempre com um tom acusatório, como se amar um pet fosse sinal de desvio, carência ou fuga de responsabilidade.

Mas será mesmo que essa é a leitura mais justa? A pergunta parte de um lugar que já define o afeto como uma escolha única, com formato padrão e hierarquias rígidas. Filhos humanos no topo. Relações “verdadeiras” de um lado, e vínculos “substitutos” de outro. Como se o valor do afeto dependesse da espécie.

Só que os afetos não funcionam assim... A relação com o pet não está necessariamente ocupando o lugar de um filho. Ela ocupa o lugar que a própria pessoa construiu, e que faz sentido dentro do seu contexto de vida. Às vezes, esse vínculo é o mais estável, mais previsível e mais acessível que ela tem. E isso não a diminui. Pelo contrário: revela o quanto ela é capaz de amar, cuidar e se comprometer, ainda que o outro tenha quatro patas.

O que estamos vendo é uma reorganização das prioridades. Em um mundo acelerado, caro, polarizado e exaustivo, muita gente tem repensado o que é “família”, o que é “legado”, o que é “cuidado”. Isso não é sintoma. É um movimento social. E, como todo movimento social, tem causas, nem sempre visíveis à primeira vista.

Falar que “as pessoas agora preferem ter um cachorro a ter filhos” pode parecer provocador, mas é raso. O que precisa ser analisado é o que está por trás dessa preferência: o custo da parentalidade, a sobrecarga das mulheres, a precariedade da rede de apoio, o medo de repetir traumas familiares, a busca por autonomia, a recusa em seguir um modelo de vida pronto, que muitas vezes adoece mais do que realiza.

Isso sem contar que a lógica da substituição é equivocada. Porque ninguém substitui ninguém. Os vínculos que formamos não são peças de reposição. São construções afetivas que emergem de escolhas, valores, vivências e necessidades, conscientes ou não.

Sim, há excessos. Em alguns casos, o animal é hiperprotegido, humanizado ao extremo, instrumentalizado como válvula emocional. Mas esses casos não podem ser generalizados. Nem usados como argumento para desqualificar uma realidade cada vez mais presente: os pets fazem parte da vida afetiva e simbólica das pessoas. E isso merece respeito.

Mais do que criticar essa mudança, talvez devêssemos perguntar: o que esse fenômeno está revelando sobre os vínculos humanos? O que ele nos ensina sobre presença, cuidado e responsabilidade? E, principalmente: por que ainda incomoda tanto ver alguém construindo uma vida significativa fora dos moldes tradicionais?

A verdade é que não existe um único jeito certo de viver o afeto. Alguns terão filhos. Outros terão pets. Alguns terão os dois. Há quem opte por nenhum. E está tudo bem. Não se trata de substituir. Trata-se de escolher com quem você quer dividir sua presença, seu tempo e seu afeto, sem que isso precise ser validado por padrões antigos ou julgamentos externos.

Talvez, no fundo, essa pergunta diga menos sobre quem tem pet… e mais sobre quem ainda não consegue aceitar que o mundo está mudando. E que amar também mudou de forma.

* Juliana Sato é psicóloga especializada em luto pet, certificada pela Association for Pet Lost and Bereavement, dos Estados Unidos.


Obesidade pet: como evitar e manter o animal no peso ideal?

Prevenção e controle do excesso de peso são fundamentais para a saúde e bem-estar dos cães e gatos


O excesso de peso em pets está relacionado a uma série de fatores. Foto: Divulgação


A obesidade é uma das doenças nutricionais que mais cresce entre cães e gatos. Dados recentes indicam que até 50% dos pets podem estar acima do peso ideal, uma condição que afeta não apenas a aparência física, mas também a saúde e a qualidade de vida.

Segundo a médica-veterinária e gerente de produtos da Pet Nutrition, Bruna Isabel Tanabe, muitos tutores não percebem que o pet está obeso, principalmente quando o ganho de peso ocorre de forma gradual. “É muito comum que o tutor só perceba quando surgem dificuldades de locomoção ou problemas de saúde associados, como doenças articulares e cardiovasculares. Por isso, é fundamental realizar avaliações periódicas e observar mudanças no corpo do animal”, explica.

O excesso de peso em pets está relacionado a uma série de fatores, como alimentação inadequada, sedentarismo, predisposição genética e alterações hormonais, como hipotireoidismo. Além disso, a castração, embora benéfica em diversos aspectos, pode reduzir o metabolismo do animal, favorecendo o ganho de peso caso não haja ajustes na dieta e no nível de atividade física.

Manter o pet no peso ideal começa com uma alimentação equilibrada, baseada em rações de qualidade, indicadas para a fase de vida e o porte do animal. A quantidade deve ser rigorosamente controlada, de preferência seguindo as orientações do
médico-veterinário.  Nesse contexto, é importante ressaltar que os petiscos, muitas vezes vistos com receio pelos tutores preocupados com o sobrepeso, podem ser incorporados de forma estratégica e positiva à rotina alimentar do pet.

Os petiscos, quando oferecidos com moderação, são importantes aliados. Atualmente, existem diversas opções formuladas com ingredientes de alta qualidade, baixo teor calórico e benefícios funcionais, como apoio ao cuidado oral, evitando a formação de tártaro e placa bacteriana.

A médica-veterinária reforça: “Os petiscos são excelentes ferramentas de estímulo, recompensa e até de enriquecimento ambiental. O importante é que sejam oferecidos com consciência e que representem, no máximo, 10% do total de calorias diárias do pet".

Além de proporcionarem prazer e fortalecerem o vínculo entre tutor e pet, os snacks são úteis em treinamentos e brincadeiras, contribuindo para o estímulo físico e mental, aspectos fundamentais para evitar o sedentarismo e, consequentemente, o ganho de peso. “Não é preciso excluir os petiscos da rotina, mas sim escolher o mais adequado a condição do animal e usar com sabedoria, sempre respeitando as necessidades nutricionais de cada animal”, orienta Bruna.

Além da alimentação, a prática regular de atividades físicas é indispensável. Caminhadas, brincadeiras ao ar livre, natação e até esportes específicos, como o agility, são excelentes para manter o pet ativo e saudável. Mesmo os gatos, que costumam ser mais sedentários, devem ser estimulados a se movimentar com brinquedos e arranhadores, como forma de enriquecimento ambiental

Prevenir a obesidade é sempre mais fácil do que tratar suas consequências. Uma vez que o animal está obeso, o emagrecimento deve ser conduzido com acompanhamento veterinário, respeitando as necessidades e limitações de cada pet. “Dietas muito restritivas ou exercícios intensos podem ser prejudiciais. O ideal é um programa gradual e seguro de redução de peso", orienta Bruna.

Com cuidados adequados, é possível garantir que o pet mantenha um peso saudável, preservando sua qualidade de vida, mobilidade e longevidade.

Fonte: www.petnutrition.com.br


quinta-feira, 17 de julho de 2025

Sophia Abrahão e Sérgio Malheiros se despedem da cachorrinha Lady e emocionam com relato nas redes sociais

Psicóloga especialista em luto, Natália Aguilar explica por que a perda de um animal de estimação pode ser tão dolorosa quanto a de um familiar


Atores lamentam a perda da cadelinha Lady. Foto: Reprodução das redes sociais


A atriz Sophia Abrahão comoveu os seguidores ao compartilhar uma homenagem à sua cachorrinha Lady, que faleceu recentemente. Ao lado do ator Sérgio Malheiros, ela expressou o impacto da perda: “Foi tudo como deveria ser. Sem sofrimento, apenas um dia internada e sendo impecável e forte até o fim. A gente te ama demais… Sua falta é devastadora em casa”.

O desabafo, publicado nas redes sociais, reacende um tema delicado e pouco debatido: o luto por animais de estimação. Para a psicóloga Natália Aguilar, especialista em luto, essa dor é legítima e precisa ser acolhida com sensibilidade. “O vínculo com um pet é uma relação de amor puro, presença constante e apoio emocional. Quando um animal parte, o impacto pode ser tão intenso quanto a perda de um ente querido”, explica.

Ainda segundo a psicóloga, um dos maiores desafios enfrentados por quem vive esse tipo de luto é a falta de acolhimento social. “Muitas pessoas ouvem frases como ‘era só um cachorro’ ou ‘compra outro’, o que pode gerar ainda mais sofrimento. Validar essa dor é essencial para a elaboração saudável do luto”, completa.

Dica de leitura: um livro para acolher crianças e adultos

Para ajudar a lidar com a perda de um animal, a atriz e risoterapeuta Gabriela Roncatti lançou o livro "Di, o cachorro pula-pula", inspirado em sua vivência com seu cãozinho Di. A obra conta de forma leve, sensível e divertida a história de um cachorrinho cheio de energia que, após partir, “virou estrelinha”.

O Di me ensinou sobre amor e alegria. Quando ele se foi, nasceu o desejo de transformar essa dor em carinho, em história, em presença. Esse livro é uma homenagem a ele e a todos os amigos que estão morando com ele na estrelinha mais linda do universo”, conta Gabriela.

O livro é publicado pela Casa Editorial e está disponível em versão impressa e em audiobook, com narração da própria autora no Spotify. Apesar de ser uma obra voltada para o público infantil, sua linguagem acolhedora também toca profundamente os adultos. “É um livro para famílias que perderam seus bichinhos e querem falar sobre isso com as crianças de forma amorosa. Mas é, principalmente, um livro sobre amor que continua, mesmo depois da partida”, afirma a autora.

Na dedicatória, Gabriela Roncatti escreve: “O Di dedica este livro a todos os seus amigos que estão morando com ele na estrelinha mais linda deste universo… um céu que é puro amor cheio de biscoito”.


Socialização felina: como o cuidado emocional transforma a vida de gatos resgatados e aumenta as chances de adoção

Histórias como as das gatinhas Brenda e Denise mostram que escuta, paciência e respeito ao tempo do animal fazem toda a diferença


Gatinha Brenda foi amor à primeira vista. Foto: Divulgação


A adoção da gatinha Brenda foi amor à primeira vista. Jaqueline Rufino, cientista de dados, buscava uma gata preta e adulta quando conheceu a ONG Confraria dos Miados e Latidos, que descrevia a gatinha como “tímida e medrosa”. Experiente com felinos, já no 15º gato, Jaqueline sabia o que esperar. “Se ele (o gato) é tímido, ele é tímido e ponto final”. Mas a tutora se surpreendeu. No primeiro dia que fomos para casa, em vez de se esconder, explorou o novo quarto, aprendeu a abrir a porta e tomou conta da casa: “Introdução? Não teve, ela tomou conta da casa como se tivesse nascido aqui”.

Apesar do início destemido, a socialização exigiu respeito e paciência. “Foi complicado andar pela casa com ela, já que ela realmente é medrosa e tem uma grande dificuldade em dividir o espaço com a gente, então eu dei espaço pra ela. Até hoje ela foge quando a gente tá atravessando o corredor e não fica no colo mais que 30 segundos, mas eu escolhi esperar ela. Seguimos todos os conselhos da ONG e demos todos os petiscos que ela quis”, conta. Hoje, mesmo sem gostar de colo, Brenda mia pedindo carinho, “amassa pãozinho” nas cobertas e já brinca com os outros gatos da casa. “Eu diria que o maior conselho é amor, carinho e respeito. Respeitar o espaço do gatinho e esperar o tempo deles é o melhor conselho, mas também recomendo churu e petiscos!”.

Um outro exemplo é a gatinha Denise. Chegou ao abrigo da ONG extremamente arisca e se escondia ao menor sinal de aproximação. Com o trabalho de socialização, o apoio de uma veterinária comportamentalista e o respeito ao seu ritmo, ela passou a aceitar carinhos na cabeça — ainda com reservas, mas demonstrando bem-estar e segurança. A expectativa é que, em breve, ela encontre um lar que compreenda e acolha sua personalidade.

Segundo a Confraria dos Miados e Latidos, o trabalho de socialização aumenta significativamente as chances de adoção. Por isso, o acolhimento na ONG inclui cuidados veterinários e suporte emocional. "Entendemos que um animal saudável é aquele que vive bem no corpo e na mente. E muitos dos nossos gatinhos hoje carinhosos e confiantes já foram, um dia, tímidos e inseguros”, afirma Laís Piccolo, coordenadora de Adoções da ONG Confraria dos Miados e Latidos. 

Processo de socialização pode levar mais de 3 meses

Nem todo gato resgatado está pronto para o colo. Muitos chegam aos abrigos assustados, com sinais de traumas e precisam de um processo cuidadoso e contínuo de socialização para voltarem a confiar em humanos. Esse histórico pode gerar dificuldades para se socializar mesmo em ambientes seguros. Na ONG Confraria dos Miados e Latidos, que hoje acolhe mais de 50 gatos tímidos ou temperamentais, esse trabalho vai além do cuidado físico, envolve escuta, paciência e um olhar atento para a linguagem corporal dos felinos.

Segundo a médica veterinária e especialista em comportamento felino que atua voluntariamente na socialização dos gatos da ONG, Débora Paulino, cada gato possui particularidades genéticas e cognitivas que influenciam suas respostas ao novo ambiente. “Assim como uma pessoa pode se ‘acostumar’ com algo que não faz bem à saúde emocional, os gatos também. Importante dizer que a capacidade para aprender e se acostumar existe, assim como a mesma pode ser direcionada para ‘desaprender’ e desacostumar”. Para ajudá-los no processo de socialização, Débora destaca sinais que indicam avanço na confiança, como expressão corporal relaxada, aceitação de comida na presença do tutor, uso da caixa de areia, brincadeiras e aproximações sutis com interesse.

O processo de socialização deve respeitar o tempo de cada animal, podendo levar até três meses (mas não é regra e cada animal tem seu tempo) para que ele se sinta parte do novo lar. “A socialização é estruturada em cinco pilares e não em cinco minutos! A evolução para cada pilar depende de vários fatores, alguns do gato, outros do ser humano e outros do ambiente”, afirma a veterinária, listando fatores como preparação do ambiente, troca olfativa, brincadeiras com troca de olhares, contato corporal supervisionado e rodízio dos espaços. 

Ao longo do processo de socialização, Débora destaca alguns sinais importantes, como:

  • Piscar lentamente: indica confiança e tranquilidade.

  • Postura encolhida e orelhas para trás: sinal de tensão ou medo.

  • Lambidas frequentes no focinho: costumam indicar desconforto ou indecisão.

  • Rabo esticado e leve tremor na ponta: geralmente sinal de curiosidade.

  • Fugir ou se esconder ao ouvir passos: medo ainda presente.

A especialista reforça que socializar um gato facilita sua adaptação e contribui para adoções mais responsáveis. “A socialização nos mostra o potencial e o perfil de comportamento daquele gatinho. O gato pode ficar arisco novamente se ele for para uma casa que não está sendo um verdadeiro lar para ele, pois o lar caracteriza o espaço de acolhimento, segurança, compreensão e livre de medo. Então o ambiente faz a total diferença para o comportamento deles gato, se ele se sente vulnerável e com medo, ele vai ter respostas comportamentais proporcionais a isso, como se tornar agressivo, podendo urinar fora do lugar, ficar o dia todo escondido, não comer entre outras mudanças comportamentais”. Mais informações em www.miadoselatidos.org.br@cmiadoselatidos

Sobre a Confraria dos Miados e Latidos

A ONG atua com excelência e profissionalismo na proteção animal desde 2007, tendo viabilizado nesse período a adoção responsável de mais de 5 mil animais e a castração de mais de 16 mil. Seu trabalho é focado na castração, como um dos pilares fundamentais da Saúde Única (saúde animal-humana-ambiental), no resgate e adoção responsável e na produção de conteúdo educativo para o público em geral.


domingo, 13 de julho de 2025

Medicina veterinária preventiva: benefícios além da saúde animal

Prevenção promove qualidade de vida às famílias multiespécies, sustentabilidade ao setor e colabora com a saúde pública


A prevenção reduz custos, melhora resultados e fortalece o vínculo entre tutores e veterinários. Foto: Divulgação

Prevenir é melhor do que remediar – o sábio ditado popular aplica-se também à saúde animal e segue mais verdadeiro do que nunca. Em um cenário em que os pets vivem mais e fazem parte do núcleo familiar, crescem as demandas por bem-estar e longevidade, e a medicina veterinária preventiva emerge como pilar estratégico não apenas para responsáveis (tutores) e profissionais, mas para todo o ecossistema de saúde.

Ao antecipar doenças e promover hábitos mais saudáveis para os animais de estimação, a prevenção reduz custos, melhora resultados terapêuticos e fortalece o vínculo entre responsáveis e médicos-veterinários. Mais do que uma tendência, trata-se de uma necessidade alinhada também ao conceito de Saúde Única (One Health), que reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental.

O que é medicina veterinária preventiva?

Consultas veterinárias regulares, exames de rotina, monitoramento da saúde bucal, acompanhamento nutricional, vacinação e vermifugação com protocolos personalizados, controle de parasitas, avaliação de comportamento, orientações sobre atividade física e enriquecimento ambiental, além de suporte ao envelhecimento saudável, são algumas das práticas que compõem a medicina veterinária preventiva. Essa rotina contribui para a identificação precoce de condições de saúde que muitas vezes não apresentam sintomas evidentes, como insuficiência renal, distúrbios endócrinos, obesidade, alterações oculares, doenças cardíacas e articulares. O diagnóstico antecipado possibilita intervenções mais eficazes, com menores impactos à saúde e melhor qualidade de vida para os pacientes. 

Além disso, práticas preventivas personalizadas, como a medicina baseada em genética, exames de rastreio de comorbidades, fisioterapia preventiva e de suporte e técnicas integrativas já são realidade em muitos hospitais e clínicas veterinárias brasileiras, promovendo saúde integral e individualizada para cada pet.

Na prática clínica, frequentemente são detectadas alterações nos exames de pets que, aos olhos do responsável, estavam perfeitamente saudáveis. Muitas doenças renais, hepáticas, cardíacas e endócrinas evoluem de forma silenciosa e só apresentam sinais quando estão em estágio avançado. A medicina preventiva permite ao veterinário agir antes que a doença comprometa a qualidade de vida do animal”, explica a médica-veterinária e country manager da VetFamily no Brasil, Stella Grell.


A medicina preventiva também traz benefícios emocionais. Foto: Divulgação


Benefícios para as famílias multiespécies

Animais que recebem cuidados preventivos tendem a ser mais saudáveis, ativos e felizes. Isso reflete diretamente no convívio diário, fortalecendo o vínculo entre pets e familiares e promovendo um ambiente mais harmonioso em casa”, destaca Stella. Doenças não diagnosticadas ou falta de tratamento adequado podem contribuir para alterações no comportamento, como agressividade, ansiedade e depressão, afetando a qualidade de vida do pet e a relação com seus responsáveis e com outros animais.

Para os responsáveis, a medicina preventiva também traz benefícios emocionais. Saber que seu animal está saudável e bem cuidado reduz a ansiedade e o estresse associados a problemas de saúde, a uma possível perda precoce do pet e a gastos não previstos.

Embora essencial, a medicina veterinária preventiva ainda encontra barreiras em responsáveis que não compreendem que um check-up regular custa muito menos do que tratar uma doença avançada — e pode ser a diferença entre meses de sofrimento e uma vida saudável e ativa. “Prevenir é sempre mais econômico do que tratar. Um check-up anual, por exemplo, pode custar menos de 50% de uma diária de internação emergencial. A vacinação em dia evita doenças graves como cinomose, parvovirose, leptospirose e rinotraqueíte, que exigem internações prolongadas e riscos à vida dos animais”, argumenta Stella.

Protagonismo veterinário

Do ponto de vista da gestão veterinária, a medicina preventiva traz previsibilidade financeira, fidelização de clientes e diferenciação no mercado. “Clínicas e hospitais que estruturam programas de prevenção conseguem reduzir emergências, manter o fluxo constante de atendimentos e se posicionar como centros de saúde de confiança”, destaca o médico-veterinário e diretor comercial da VetFamily no Brasil, Fabiano de Granville Ponce.

Para que a medicina preventiva se torne a norma — e não a exceção —, é fundamental ampliar o repertório de conhecimento técnico entre os profissionais e investir na formação de uma cultura de cuidado contínuo. Ferramentas como prontuários eletrônicos, programas de fidelidade, tratamentos inovadores e educação continuada são aliados importantes para implementar uma estrutura de medicina veterinária preventiva de forma escalável e sustentável.

A VetFamily, comunidade internacional criada por médicos-veterinários, tem como objetivos fomentar o segmento veterinário por meio de parcerias estratégicas que facilitem o desenvolvimento técnico e administrativo dos médicos-veterinários e promovam o acesso a soluções, tecnologias, produtos, medicamentos e vacinas de ponta. “A prevenção é uma das estratégias mais eficazes para a sustentabilidade das clínicas e hospitais veterinários e para o fortalecimento do vínculo com os responsáveis. Por isso, a VetFamily, em parceria com a indústria farmacêutica e com os membros da comunidade, promove a medicina preventiva e investe em campanhas de saúde com o intuito de informar e auxiliar responsáveis na detecção precoce de doenças e na necessidade de prevenção, além, é claro, de ressaltar a real importância do médico-veterinário na saúde coletiva”, esclarece Ponce.

O impacto sistêmico da prevenção

A medicina veterinária preventiva também desempenha papel educativo e prático na saúde pública e ambiental. O controle de parasitas, a vacinação e o uso racional de antimicrobianos não apenas protegem os animais, mas evitam a propagação de zoonoses e colaboram no combate à resistência antimicrobiana — um dos maiores desafios globais em saúde atualmente.

A prevenção na veterinária está intrinsecamente ligada ao conceito de Saúde Única. Cada vacina aplicada, cada responsável orientado, cada protocolo de bem-estar implementado nas clínicas tem um reflexo direto na saúde da sociedade como um todo”, reforça Ponce.

A medicina veterinária preventiva não é apenas uma ferramenta de cuidado: ela é uma estratégia ética, econômica e técnica para garantir mais anos de vida saudável aos pets, mais tranquilidade aos responsáveis e mais relevância para o profissional veterinário. Prevenir é, cada vez mais, a melhor forma de cuidar.

Fonte: VetFamily


Saúde animal: exames periódicos em pets podem identificar doenças precocemente

Uso de agulha de calibre fino na coleta de sangue pode amenizar o desconforto nos animais de estimação


Exames regulares identificam e previnem problemas de saúde. Foto: Pixabay


Os exames periódicos de saúde em animais de estimação são essenciais para garantir saúde e bem-estar a longo prazo. Assim como nós, os animais também podem desenvolver problemas de saúde e exames regulares podem identificar esses problemas, permitindo tratamento adequado e prevenindo complicações, que podem ser irreversíveis dependendo da complexidade.

Geralmente, os exames variam conforme a idade, raça e o histórico de saúde do pet, que pode ser gato, cachorro, passarinho, galinha, cavalo, entre outros, e incluem exames físicos (anormalidades na pele, problemas dentários, dores nas articulações, etc), exames de sangue (anemia e diabetes) e urina (problemas renais ou metabólicos), testes de detecção de parasitas e de imagens, como radiografias e ultrassonografias, por exemplo. 

De acordo com Samanta Cardoso da Silva, médica veterinária da BeCare UTI Veterinária, é recomendado que os responsáveis pelo pet façam a vacinação regular e exames periódicos, em média, uma vez por ano, identificando de forma precoce possíveis doenças. “Desde o primeiro ano de vida do seu animal ele pode e deve passar por avaliação veterinária e exames laboratoriais. Com certeza, com o passar dos anos, esse controle deve ser mais intensificado, pois assim como nós, os animais chegam na fase geriátrica e devem ser acompanhados com maior frequência”.

Porém, em alguns momentos, a realização de exames laboratoriais são ainda mais necessários, como antecedendo procedimentos cirúrgicos, procedimentos invasivos ou situações em que o paciente necessita de sedação ou anestesia. “Ou também quando o animal apresenta alterações que gerem uma suspeita de alguma doença que não possa ser identificada no exame físico ou, até mesmo, quando já diagnosticada a enfermidade, como parte complementar para a escolha do tratamento ideal (medicações, condutas, etc)”, complementa a veterinária.

 

Vacinação regular mantém a saúde do pet. Foto: Pixabay


Samanta também explica que os laboratórios de análises tendem a trabalhar com exames de “check-up”, que facilitam a rotina clínica e identificam de forma eficaz problemas de saúde do pet. Os mais pedidos são hemograma, bioquímico, albumina, ALT, creatinina, uréia, glicose, entre outros. “Na rotina com pacientes mais críticos usa-se muito a hemogasometria que, além de mostrar os eletrólitos (como potássio, cálcio ionizado e sódio), nos mostra também as concentrações de gases no sangue, das proporções de oxigênio, além de auxiliar na avaliação de distúrbios do equilíbrio ácido-base”.

Como é a coleta de sangue em pets?

A coleta de sangue em animais de estimação é a hora mais temida pelos tutores. Geralmente, o procedimento é rápido e envolve o uso de agulhas e equipamentos específicos projetados para garantir a segurança e o conforto do animal, conforme afirma Samanta. “A coleta é um procedimento simples e rápido, geralmente feito por um veterinário experiente e um assistente. Na prática, é puncionada a veia jugular,  veia cefálica (no membro anterior) ou a veia femoral (na região da coxa), na qual temos agulhas de diversos tamanhos, geralmente de calibre fino, desde a agulha roxa, que é para animais PP, até a agulha cinza e verde que é para os de médio e grande porte”. 

Para realizar o procedimento, a FirstLab, fabricante brasileira de produtos para laboratório, possui uma variedade de materiais de alta qualidade para atender o público pet. Na coleta de sangue, a empresa oferece para clínicas e hospitais veterinários agulhas de diversos tamanhos, para animais pequenos, médios e grandes, além de torniquetes descartáveis, escalpes, seringas, tubos de coletas e lancetas. Também, em seu portfólio, a FirstLab apresenta outros produtos, como agitadores e centrífugas, coleta de fezes e urina, descartes, E.P.I, microbiologia, micropipetas e pipetas, microplacas e tubos, microscopia e histologia, ponteiras, urinálise, racks e estantes. 

"Na FirstLab estamos dedicados a proporcionar soluções que cuidam tanto da saúde humana quanto da saúde veterinária, garantindo sempre qualidade e segurança", explica a assessoria científica da FirstLab, Vitoria Repula. 

Fonte: https://portal.firstlab.ind.br/